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Vibe Retrô: Fotógrafo comenta sobre a volta da fotografia analógica e conta sobre seu novo projeto

Em exclusividade para o Trend Times, o fotógrafo brasileiro que agora está morando em Berlin, Jefter Martins, conta sobre seu novo projeto que será lançado hoje (26) nas plataformas digitais do artista


Novo projeto Atto I Scena IX do fotógrafo Analog Martt. Crédito: Analog Martt

A vibe retrô veio com força total, tanto nas roupas e acessórios como também na fotografia. Nas redes sociais a tendência está estampada nas fotos que são compartilhadas aos montes pelos jovens e influenciadores, buscando tons mais amarelados e até mesmo utilizando aplicativos com recursos avançados e especializados em "envelhecer" a imagem que foi tirada pelo celular de última geração e simular o efeito de uma câmera analógica.


Crédito: Analog Martt

A moda pode até ser cíclica mas a paixão pela fotografia analógica é algo que não muda, pelo menos para Jefter Martins ou Analog Martt, como o fotógrafo brasileiro assina suas composições fotográficas. Para ele, nada substitui a boa e velha câmera analógica com filme, daqueles que você só consegue ver os resultados depois de revelar as fotos. Segundo o artista, essa é a beleza e a graça da fotografia, capturar e eternizar momentos sem esforço, sem preparação prévia.


Atualmente baseado em Berlin, na Alemanha, o fotógrafo bate um papo exclusivo com o Trend Times para falar mais sobre a volta da fotografia analógica, a tendência retrô e o lançamento do seu mais novo projeto, o Atto I Scena IX, que será compartilhado hoje nas redes sociais do @analog.martt.


  • Primeiramente, gostaria de dizer que é um prazer ter você aqui conosco nesse bate-papo. Para começar, eu queria saber qual a sua opinião sobre a fotografia analógica e se você acha que ela voltou a estar na moda.

Bom, eu sou apaixonado pela experiência que a fotografia analógica proporciona e, obviamente, podemos atribuir características estéticas particulares de fotos tiradas com câmeras analógicas. Mas, para mim, a experiência não é definida apenas pelos resultados, mas pelo o processo em si, que é muito gratificante. Por exemplo, com uma câmera de celular ou digital, você consegue tirar centenas de fotos e escolher quais você mais gostou. Na fotografia analógica isso não acontece, além do custo que isso envolveria. Então, ao meu ver, isso requer um nível de dedicação mais elevado a cada clique. Com isso, não só o resultado daquela foto vai ser mais orgânico, mas a experiência em si se torna mais orgânica, natural, também.


Em relação a sua segunda pergunta, sim eu acho que voltou a estar na moda sim, eu acredito que as pessoas estão com sede de experiências mais orgânicas.


  • Muito bacana! Martt, me fala um pouco sobre o seu processo criativo.

Bom, o processo criativo é muito gostoso. Eu invisto bastante tempo planejando, organizando, e executando cada projeto. Eu não edito nenhuma das minhas fotos, então estudo bastante sobre o filme que eu vou usar para ter uma ideia de como as cores ficariam. Eu também pesquiso bastante sobre os lugares que eu vou, estudo fotos que já foram tiradas lá para ter uma ideia. Então, muitas vezes, eu já tenho uma ideia do que eu vou fotografar até mesmo antes de chegar no lugar. Claro que depende do projeto, tem projeto que acontece de forma mais espontânea. As vezes eu só levo a câmera e deixo acontecer de forma mais natural, como foi o caso desse novo projeto.


  • Já que você tocou no assunto, estamos curiosos sobre o seu novo projeto. Sabemos que ele é todo em P&B e eu gostaria que você nos contasse o por quê dessa escolha.

Ter escolhido fotografar esse projeto em preto e branco marca uma conquista para mim. Eu estudo muito sobre a psicologia das cores e amo poder usar esse conhecimento nos meus projetos. Mas eu queria me desafiar. Então, pesquisei e escolhi o Ilford HP5 Plus 400 porque, comparado com outros filmes P&B, ele parecia gerar menos contraste nas fotografias, o que eu tinha em mente mesmo para esse projeto. Mas se eu for bem sincero, eu tive o intuito de retratar pessoas. Eu queria que elas estivessem em foco, com contornos, luzes, texturas, etc. Então eu achei que as cores poderiam trazer uma distração para o olhar, o que eu não queria.


Eu tenho a impressão que a fotografia P&B transparece uma intimidade, o que também casa bem com um projeto que é bem íntimo.


  • Por que você escolheu compartilhar suas fotos em grupos, especialmente nesse formato de atos e cenas?

Sim, eu escolho compartilhar as fotografias nesse formato porque, para mim, é como se cada fotografia fosse um frame de uma cena. É como se juntas elas contassem uma história. Me dá a sensação de que eu estou sendo levado numa viagem para aquela realidade que está sendo retratada. Eu sinto muito isso no Atto I Scena V, que foi um projeto que eu fiz em áreas rurais de São Paulo. É como se eu abrisse as fotos e tivesse sido teletransportado pra lá.


  • Eu gostaria de saber um pouco mais sobre as suas inspirações e referências. Me conte mais sobre isso?

Olha, existem alguns fotógrafos na comunidade de fotografia analógica que eu admiro muito. Normalmente, o que eu produzo difere muito do que eu consumo. O que me inspira mesmo é particularidade de cada projeto em si. Por exemplo, se eu escolho fazer um projeto de arquitetura moderna, eu vou normalmente procurar referencias nessa direção. Então muda bastante de projeto para projeto. Mas, o ato de retratar aquele conceito em si ja é a minha maior inspiração.


  • Voltando um pouco para o seu novo projeto Atto I Scena IX. Me conte sobre ele.

Olha, eu amei esse novo projeto. Foi incrível poder fotografar pessoas que fazem parte da minha vida. Claro que eu acredito que em todos os meus projetos eu expresso muito de mim. Mas, esse é com certeza mais especial, é um olhar mais de perto.


Eu acho muito difícil fotografar retratos, mas estou procurando aprimorar. Esta também foi a primeira vez que eu usei um filme preto e branco, então esse projeto foi um grande desafio em vários aspectos. Mas isso o tornou também mais especial. Eu estou muito feliz com os resultados!

  • Muito interessante que a escolha do filme exerce um papel tão grande na fotografia analógica. Qual é o seu filme favorito no momento?

Eu tenho usado muito o Fuji Superia X-tra 400. Eu gosto dele por vários motivos. Eu gosto de como as cores ficam: o verde das árvores ficam realçados, o marrom dos troncos ou de construções com madeira são puxados um pouco mais pro magenta e eu amo os resultados. Mas o que eu mais gosto é a nitidez dos contornos. Isso me fez ficar apaixonado por esse filme!

  • No seu site, além de algumas especificações do filme que você usou e os locais onde as fotos foram fotografadas, há pouca informação que você compartilha junto com as fotos. No Instagram são menos informações ainda, com legendas que só informam a qual projeto elas fazem parte. Tem algum motivo específico para essa escolha editorial?

Para mim as fotos falam por si. E essa ausência de informações adicionais tem, ao meu ver, muitas vantagens. Uma delas é que a gente se desprende de tudo que possa impedir o contato orgânico do espectador com a arte. Não é sobre a localização, não é um statement, não é sobre taggear (marcar) alguém na foto por visibilidade. A ideia é quem quem veja possa usar a imaginação e deixar que as fotos digam tudo o que precisa ser dito. A fotografia deve estar em foco e todo o resto é secundário. Vamos dizer assim, em geral, para mim, quanto menos informações além da fotografia, melhor. Mas isso pode mudar, se eu sentir que faz sentido.


  • Interessante! O que podemos esperar de analog martt depois desse novo projeto? Já há novos projetos em mente?

Bom, depois de passar um tempo incrível no Brasil, eu estou de volta em Berlin, onde eu moro. Então, com certeza, planejo fotografar bastante por aqui. Mas eu também sempre estou procurando novas ideias para explorar. Como eu disse antes, eu me divirto muito planejando os projetos, e gosto muito de contar com o elemento da surpresa quando eu os compartilho. Então, além dessas novas foto que estou tirando pelas cidades onde eu passo, tenho um outro projeto que também já está em andamento, que vai ser bem diferente do que eu já fiz até agora. Mas é segredo!


  • Poxa! Mas então a gente pode esperar ver outras faces de analog martt, em breve?

Sim, com certeza. Eu acredito que já compartilho muito de mim. Não só a questão da minha visão de estética e beleza, mas também das coisas que eu gosto e aprecio. Mas Atto I Scena IX marca um novo passo. Está aí uma dica boa - risos.


A obra completa pode ser vista no site do fotógrafo.

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