• Tatiana Carvalho

Tatuadora brasileira conhecida internacionalmente, Karlla Mendes, conta sobre seu projeto social

Em entrevista exclusiva para o Trend Times, a tatuadora brasileira Karlla Mendes fala sobre seu projeto 'We are Diamonds' , que faz tatuagens gratuitas em pessoas com cicatrizes causadas por violência, doenças ou autoagressão. Atualmente, Karlla mora na Austrália.


Karlla Mendes. Créditos: Divulgação

Nascida em São Paulo e com quase 20 anos de experiência, Karlla já rodou o mundo levando a sua arte. A tatuadora já ganhou alguns prêmios e foi homenageada em convenções. Atualmente, Karlla mora em Melbourne, na Austrália, onde tornou seu projeto social 'We are Diamonds' internacional.


O projeto social da tatuadora, denominado 'We are Diamonds', visa ajudar desde jovens até mesmo pessoas mais velhas que tenham alguma cicatriz na pele, seja por conta de um acidente, uma cirurgia, uma violência sofrida ou doença. Segundo ela, muitas vezes essas marcas trazem lembranças ruins às pessoas e isso as chateiam ou baixam a sua autoestima. O trabalho de Karlla foi destaque nos principais jornais da Austrália e ganhou o mundo.



Em entrevista para o Trend Times, Karlla conta mais sobre como surgiu a ideia do projeto e como essa iniciativa ajudou quem já participou.


  • Conte para nós como surgiu a ideia do projeto We are Diamonds e no que ele consiste exatamente, por favor.

O projeto 'We are Diamonds' começou no Brasil, depois de eu perceber que muitas pessoas que vinham buscar meu trabalho para cobrir alguma cicatriz de um momento doloroso para elas e, a maioria, não tinha condições de pagar pela tatuagem que gostariam de fazer para cobrir essas marcas. Eu ficava muito emocionada com as histórias e, desde então, resolvi que eu iria separar 2 dias da minha agenda para me dedicar à essas pessoas. Aos poucos, o projeto foi saindo do papel.


Depois de participar de muitos campeonatos e convenções por todo o mundo, eu passei por uma fase um pouco complicada na minha vida em que eu sentia que precisava de um propósito maior do que só fazer as tatuagens normais, comerciais. Eu sentia que apenas isso já não bastava para mim. Até que um dia, olhando para uma joia que eu tinha comprado no Havaí, eu tive um insight de usar isso na tatuagem. Então, há 2 anos eu criei um novo estilo de arte, unindo os desenhos de pedras preciosas com os meus traços finos e passei a utilizar essa técnica para o projeto 'We are Diamonds'. Então, o projeto já existe há 3 anos, mas há 2 que eu passei a utilizar os desenhos das pedras preciosas nele, depois de ter criado esse novo estilo. E o mais bacana é que esse projeto acabou sendo um presente para mim, pois me resgatou da fase ruim pela qual eu estava passando. O projeto foi um jeito que eu encontrei de agradecer a Deus e a todo mundo por tudo de bom que aconteceu na minha vida.


  • Que iniciativa linda, Karlla! E para quem é voltado exatamente o projeto?

Então, o 'We are Diamonds' tem como foco realizar esse trabalho em todas as pessoas que tem cicatrizes, mas não só as cicatrizes externas, o trabalho visa curar principalmente as cicatrizes internas, como a depressão, transtornos, entre outros.


Tatuar nessas regiões onde há cicatrizes é um trabalho mais delicado, que exige mais preparação. Eu sempre busco fazer desenhos que tirem o foco da cicatriz e mexer com luz e sombra no desenho para camuflar o relevo que a cicatriz faz na pele.


Para a criação da arte, eu converso previamente com a pessoa, entendo a história dela, vejo quais são os gostos pessoais e, partir daí, eu crio um desenho que tenha um significado especial para aquela pessoa. Eu tento sempre compor uma arte que vá trazer uma energia legal para a pessoa e que ela goste, claro.


Tatuagem feita pelo projeto 'We are Diamonds', no Brasil. Crédito: Divulgação

  • As pessoas que já participaram, você sente que essa tatuagem influencia na autoestima delas?

Sim, totalmente. Eu sempre recebo feedbacks das pessoas que participam, dizendo que isso mudou a vida delas. Tem uma pessoa que eu atendi em São Paulo, que passou por episódio de Síndrome de Borderline, no qual ela se cortava e ela me procurou pedindo para que eu fizesse uma mágica na vida dela. Então, eu trabalhei com as referências do que ela queria, traços finos e acabamos fazendo uma varinha mágica com pedras preciosas. Ela amou o resultado e disse que, realmente, conseguimos fazer uma mágica na vida dela. Isso é extremamente gratificante para mim e faz eu querer me dedicar cada vez mais.


  • Que trabalho incrível! Então, hoje o projeto tem atuação só no Brasil?

Não! Ele começou no Brasil, mas, depois de conseguir ajudar tanta gente por lá, eu resolvi torná-lo internacional. Então, o primeiro lugar para onde eu trouxe o projeto foi aqui para Melbourne, na Austrália, onde eu moro atualmente, já tatuamos em Londres, também pelo projeto, e vamos passar pela Califórnia, nos Estados Unidos. Queremos levar para outros lugares também futuramente. Para quem tiver interesse, lá no meu instagram eu falo tudo sobre o projeto e por onde vamos passar.


  • E quais são os seus planos para este ano e o futuro?

Acabei de abrir meu estúdio em Melbourne e, como forma de agradecimento, eu doei 20 flash tattoos para uma ONG aqui da Austrália, a Beyond Blue, que ajuda pessoas com depressão e ansiedade. Gosto de me envolver em projetos assim em qualquer lugar que eu vá. Assim que acabar a pandemia, pretendo seguir levando meu projeto para o mundo.