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Número de mortes violentas que têm como vítimas menores de 18 anos tem aumentado no Brasil

Ano após ano, são assassinadas violentamente pessoas cada vez mais jovens, com o agravante de a maioria dessas vítimas serem adolescentes e jovens negros nas periferias dos grandes centros urbanos; de 1996 a 2017, 191 mil crianças e adolescentes foram vítimas de homicídio no Brasil

Há dois anos, adolescentes e jovens do MJPOP lideram monitoramento de políticas públicas de segurança pelo projeto #EuSintoNaPele (Foto: Gabriel Dias / Visão Mundial Brasil)

No mês da Consciência Negra, a Visão Mundial - que integra a rede World Vision, uma das mais expressivas organizações de ajuda humanitária do mundo, alerta: número de mortes violentas que têm como vítimas meninas e meninos com menos de 18 anos de idade tem aumentado no Brasil.

De acordo com dados do Ipea/Atlas da Violência e Unicef, de 1996 a 2017, 191 mil crianças e adolescentes foram vítimas de homicídio no Brasil. Outro levantamento, do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2020, aponta que 74,4% das vítimas de violência letal no Brasil são negras e que 51% foram jovens de até 29 anos. A maioria das vítimas é de homens jovens negros e moradores de periferia.

Para mudar esta realidade, o projeto #EuSintonaPele, do MJPOP (Monitoramento Jovem de Políticas Públicas, da ONG), tem realizado ações de conscientização. Entre 2018 e 2020, o movimento atuou em nove municípios, mobilizando mais de 1.300 jovens e adolescentes e implementando cinco projetos liderados por jovens para a redução de violência em comunidades vulneráveis. Além disso, foram unidos 38 grupos de adolescentes e jovens com formações nos temas da Segurança Pública, Racismo e Juventudes.

“A maioria dos jovens e adolescentes que participam do MJPOP são negros e atuam monitorando políticas públicas nas periferias das grandes cidades. Nos últimos anos, tem aumentado muito a violência contra essa juventude. A partir dessa realidade, surgiu o projeto #EuSintoNaPele, para monitorar políticas de segurança pública”, explica o Diretor de Advocacy da Visão Mundial, Weliton Pereira. “Em dois anos, foram alcançados resultados importantes, além da construção de propostas de uma política pública de segurança mais efetiva e que, acima de tudo, conte com a participação popular dos jovens, que são os principais atingidos pela violência e que, portanto, precisam ser ouvidos”, completa.

Os dados são alarmantes e, de acordo com a Visão Mundial, a necessidade de mobilização e protagonismo jovem são cruciais. Levantamento do Ipea aponta a agravante do racismo na questão da violência; de acordo com com a instituição, de 2007 a 2017, a taxa de pessoas negras vítimas de homicídio aumentou 33%, enquanto que no mesmo período, entre pessoas não negras, a taxa foi de 3%.

“Ser jovem negro no Brasil é um processo de luta constante. Aqui, se você nasce preto, você nasce com uma sentença. Passar da adolescência e chegar à juventude sem nenhuma experiência de violência é um fato a ser celebrado. Não há como ser um adolescente ou jovem negro no Brasil e não viver com medo”, afirma Gabriel Dias, hoje com 25 anos, e que tem atuado junto ao MJPOP desde as primeiras ações do movimento em Salvador (BA), onde vive.

Os jovens e adolescentes do MJPOP têm atuado de maneira local para garantir a segurança e condições dignas de sobrevivência, principalmente da população jovem afrodescendente; já no âmbito nacional, têm trabalhado para a formulação de políticas públicas e as modificações necessárias na legislação para que as juventudes possam usufruir de condições para viver e se desenvolver de forma plena e em igualdade de oportunidades.

Sobre o MJPOP

O MJPOP é uma metodologia para monitoramento de políticas públicas e serviços públicos (saúde, educação, esporte, lazer e segurança pública cidadã) da Visão Mundial que prepara adolescentes e jovens para liderar processos políticos em suas comunidades e, assim, garantir a efetivação desses direitos de reuniões comunitárias, conversas com poder público, entre outras ações.

Por meio dessa metodologia, meninos e meninas (de 16 e 24 anos) identificam os problemas de suas regiões e, junto com outros atores, propõe soluções . Os participantes do MJPOP aprendem temas relacionados ao funcionamento do Estado e como se configuram as políticas públicas e os serviços públicos. Assim, conseguem entender os problemas locais dentro de um contexto mais amplo, identificando as responsabilidades de cada um no processo de construção de soluções coletivas e sabendo de quem cobrar as mudanças necessárias.

A Metodologia foi desenvolvida pela Visão Mundial Internacional (World Vision) sob o nome de Community Based Performance Monitoring (CBPM) e trazida ao Brasil em 2005. Hoje, cerca de 500 adolescentes e jovens realizam a metodologia em 35 grupos, espalhados por 10 estados no Brasil.

Em 2011, o MJPOP recebeu o Certificado de Tecnologia Social pela Fundação Banco do Brasil, uma instituição pública que reconhece a metodologia da Visão Mundial. Para receber o título, é necessário que o projeto tenha resultados concretos de transformação social, esteja sistematizado de uma forma que possa ser replicado em outros locais e conte com a participação da comunidade no desenvolvimento e implementação.

Fonte: Assessoria de Imprensa

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