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Imunização contra Covid deve começar no primeiro trimestre de 2021, diz Fiocruz

Presidente da fundação, Nísia Trindade, afirma que a expectativa é começar a produção da vacina de Oxford entre janeiro e fevereiro


Enfermeira mantém um frasco da chinesa Sinovac, potencial vacina contra o novo coronavírus, em fase avançada de testes no Brasil Foto: DIEGO VARA / Reuters - 08/08/2020

RIO — A presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a pesquisadora Nísia Trindade Lima, afirmou na manhã desta segunda-feira que a produção da vacina contra a Covid-19 deve começar entre janeiro e fevereiro e que a imunização da população deve ter início ainda no primeiro trimestre do ano que vem. A Fiocruz vai fabricar a vacina da Universidade de Oxford com a biofarmacêutica AstraZeneca quando ela for aprovada.


— A expectativa é que possamos encaminhar a vacina entre os meses de janeiro e fevereiro para começar a produção. A Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) irá acompanhar todo o processo. Assim, temos a expectativa de que o processo de imunização (no Brasil) comece a ser feito no primeiro trimestre de 2021 — afirmou Nísia Trindade Lima. — A imunização será um dos processos para começar a mudar o impacto dessa pandemia que atingiu toda a sociedade.


A declaração foi dada após um ato pelo Dia de Finados que contou com a presença de 50 pessoas no Cemitério da Penitência, no Caju, Rio de Janeiro. Foi inaugurada a pira — a “Chama da Esperança” —, que só será apagada quando houver a descoberta de uma vacina. Parte das chamas foi levada para a Fiocruz.


— A chama na Fiocruz significa confiança no trabalho da ciência, de iluminação para o trabalho de toda a pesquisa da nossa instituição. Estamos trabalhando com a ciência para que essa mensagem de esperança se dê a partir de testes e da vacina. O papel da Fiocruz está sendo conduzir a pesquisa científica, reforçar o nosso Sistema Único de Saúde (SUS) e produzir as doses — completou Nísia Trindade.


Em agosto, a presidente da fundação afirmou que a produção dos imunizantes iria começar em dezembro. Na ocasião, foi assinado um acordo entre a Fiocruz, o Ministério da Saúde e a AstraZeneca que previa transferência de tecnologia e 100 milhões de doses produzidas no Brasil.


—Estamos nos preparando para receber 30 milhões de insumos farmacêuticos para 30 milhões de doses da vacina, entre dezembro e janeiro. Receberemos mais 70 milhões de doses logo a seguir, entre fevereiro e junho de 2021 — disse Nísia, à época.


O conglomerado farmacêutico anglo-sueco obteve os direitos de produzir, distribuir e comercializar a vacina. O governo federal abriu um crédito extraordinário de R$ 1,9 bilhão para a viabilização da produção e aquisição das doses pela Fiocruz.


Já em dezembro, 15 milhões de ampolas do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) da vacina de Oxford, produzido na China, serão trazidos ao Brasil para dar inicio à produção dos primeiros frascos da vacina em território brasileiro.


Uma das mais adiantadas no mundo, a vacina de Oxford, é a principal aposta para a imunização em massa no país. O imunizante está na última fase de testagem.


Responsabilidade


O ato foi realizado pelo arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta, que afirmou que a igreja apoia a ciência para a produção e a distribuição das vacinas contra o novo coronavírus. O cardeal disse que “cada pessoa tem liberdade” para aceitar ou não a imunização, no entanto pediu que a população se vacine.


— Não nos cabe julgar as pessoas em suas liberdades. Nos cabe rezar para que possamos ter a vacina e para aqueles que acreditam na validade da vacina possam recebê-la e serem imunizados. A igreja nunca foi contra a vacina, e incentivamos a imunização de crianças e adultos. Mas cada um sabe da sua própria vida e de sua responsabilidade — disse Orani.


Durante a homilia, o padre falou de esperança, fé e perseverança. Afirmou também que “a vida não termina com a morte e que parentes de vítimas da Covid-19 devem confiar em dias melhores". Muitos que estiveram na cerimônia de finados não puderam enterrar seus parentes.


— Esse é um dia que temos que ser solidários com tantas pessoas que sofrem nesse ano: com as famílias que perderam seus entes queridos, que não puderam fazer o velório e entregá-los a Deus. (Por isso) rezamos a missa. Acreditamos que a vida não termina com a morte. Rezamos, pois mesmo aqueles que estão mortos estão vivos em Deus. Que as pessoas que perderam seus entes queridos sigam a vida tomando todas as precauções.


O arcebispo falou sobre a pira:

—  Tivemos a oportunidade de acender a pira, a luz. Parte dela vai para a Fiocruz, onde rezamos para que nossos cientistas sejam iluminados para a descoberta da vacina.


Por O Globo https://oglobo.globo.com/sociedade/imunizacao-contra-covid-deve-comecar-no-primeiro-trimestre-de-2021-diz-fiocruz-24724651