• redacaotrendtimes

Dois em cada dez jovens adultos brasileiros dizem que se sentem solitários, segundo pesquisa

  • Levantamento com mais de 15.000 jovens de 18 e 35 anos, em 25 países, mostra objetivos, medos, relacionamentos, rotinas e crenças dessa primeira geração verdadeiramente global;

  • Jovens adultos entrevistados nos países latino-americanos estão preocupados com a corrupção e com o clima. No Brasil, a fome emerge como um problema grave;

  • 6 em cada 10 brasileiros consideram a fé muito importante; 8 em cada 10 estão descontentes com suas lideranças locais; dois em cada 10 se sentem sozinhos e metade está ansioso.



Uma geração hiperconectada, jovens adultos solitários, preocupados e ansiosos, à procura de respostas, com anseio por fazer a diferença e conectados com a fé e espiritualidade. Uma pesquisa online com a participação de mais de 15.000 jovens, em 25 países, mostra quais são os objetivos, medos, relacionamentos, rotinas e crenças dessa primeira geração verdadeiramente global. Promovida pela ONG World Vision, ou Visão Mundial, como é conhecida no Brasil, e o Barna Group, uma empresa de pesquisa da Califórnia, Estados Unidos, o levantamento Geração Conectada, ouviu, entre dezembro de 2018 e fevereiro de 2019, jovens de 18 a 35 anos, em 25 países.


Quais valores os Millennials, nascidos entre 1984 e 1998, e agora a Geração Z, nascida entre 1999 e 2015, estão trazendo com eles para a idade adulta? Que tipo de mundo eles já estão construindo? Qual é a relação deles com a fé? A realidade é que os membros desta faixa etária vão moldar ativamente o futuro das indústrias, política, artes, bairros e igrejas. A intenção é convocar conversas em nível global e local para entender, engajar e colaborar com essa geração conectada.


“O objetivo deste estudo global foi ver se as mesmas tendências são verdadeiras em todo o mundo e em diferentes contextos culturais, bem como explorar o bem-estar dessa geração, espiritualmente, profissionalmente e a nível de relacionamentos com as pessoas que estão ao seu redor”, conta Welinton Pereira, Diretor de Advocacy da Visão Mundial.


Todos os entrevistados têm pelo menos uma coisa em comum, além da idade: a conexão com a internet. Embora alguns temas variem de acordo com o país e o contexto, há outras semelhanças além das fronteiras. Esta geração está mais conectada do que nunca, mas também mais isolada. Enquanto os jovens adultos se sentem muito sintonizados com eventos ao redor do mundo, eles também se sentem desconectados das pessoas mais próximas a eles. Eles anseiam por apoio e relacionamentos pessoais.


"A pesquisa revela uma geração de adultos orientados que são cautelosos, lutando com perguntas, ansiando por relações mais profundas e enfrentando obstáculos sociais, profissionais e pessoais significativos. No entanto, também descobrimos que a fé é um fator importante, associado ao seu bem-estar, conexão e resiliência”, conta Alyce Youngblood, diretora editorial do Barna Group e escritora do estudo.


Conectado, mas sozinho


Um tema inicial e óbvio que emergiu desta pesquisa foi a concordância com duas afirmações: "Eventos ao redor do mundo importam para mim" (77% no geral e 93% no Brasil) e "Eu me sinto conectado com pessoas ao redor do mundo" (57% no geral e 91% no Brasil). No entanto, a maioria da geração conectada sente o impacto de tendências globais amplas mais do que se sentem amadas e apoiadas por outras pessoas próximas a elas, mais do que se sentem otimistas e empoderadas. Apesar de ser uma geração hiperconectada e globalmente consciente, muitos jovens adultos dizem que se sentem solitários (16% no Brasil) — e apenas um em cada três (33%) diz que se sente profundamente cuidado por aqueles ao seu redor. No Brasil, esse número cai para 26%. Aqui, no entanto, fortes níveis de conectividade estão associados à fé em geral e ao cristianismo em particular.


Compromisso com a espiritualidade e a igreja


Várias nações incluídas neste estudo estão secularizadas ou agora testemunhando um declínio na influência da religião. Quando se olha para o todo, no entanto, os adolescentes de 18 a 35 anos ao redor do mundo são surpreendentemente amigáveis à fé e à religião. Parte dos entrevistados defende os benefícios da religião, tanto para os indivíduos quanto para a sociedade, porém cerca de metade desses entrevistados vê a religião como ruim para as pessoas ou como um prejuízo para a sociedade. Ainda assim, entre esses, um quinto considera a religião uma algo positivo.


De todos os países da América Latina, o Brasil foi o que se mostrou na pesquisa com jovens mais ligados à fé e à religião. Entre os jovens brasileiros entrevistados, 74% se declaram cristãos, 10% praticam outra fé e 17% se declaram ateus, agnósticos ou sem fé. Mesmo sendo também o país da América Latina que apresenta menor taxa de abandono da igreja por parte dos jovens, este índice está em 41% dos entrevistados.


A geração conectada está buscando que a Igreja ofereça oportunidades reais, tangíveis, significativas e de desenvolvimento. Segundo o presidente do Barna Group, David Kinnaman, “os jovens querem que a Igreja seja um laboratório de liderança, não somente um lugar para a espiritualidade”.


Era da Ansiedade


Ao longo deste estudo, há vários sinais de que os adolescentes de 18 a 35 anos não estão à vontade no mundo. Os entrevistados tiveram a oportunidade de fornecer um retrato de suas emoções, e a imagem é de uma geração agarrada pela preocupação. A ansiedade sobre decisões importantes é generalizada (40% no geral e 50% no Brasil), assim como a incerteza sobre o futuro (40% no geral e 32% no Brasil), o medo do fracasso (40% no geral e 42% no Brasil), e uma pressão para ser bem-sucedido (36% no geral e 31% no Brasil).


Anseio por fazer a diferença e preocupações com o mundo


A geração conectada expressa sérias preocupações sobre nosso futuro compartilhado. Problemas globais como corrupção, racismo, mudanças climáticas e pobreza extrema estão à frente da mente. Uma das ideias mais amplamente endossadas na pesquisa é que "não há líderes bons o suficiente no momento". Jovens adultos brasileiros, por exemplo, estão descontentes com suas lideranças locais. De todos os entrevistados no país, 81% concorda com a afirmação de que nossa sociedade enfrenta uma crise de liderança.

As principais preocupações de jovens adultos brasileiros atualmente são com a corrupção (52%); com as mudanças climáticas globais (34%); poluição (38%); pobreza extrema (31%); racismo (29%); fome (37%); desastres naturais (29%); desigualdade econômica (18%); educação (26%); e saúde (11%).


“Em linha com a média mundial, os jovens adultos entrevistados nos países latino-americanos estão preocupados com a corrupção e com o clima. No Brasil, a fome emerge como um problema grave”, alerta o Diretor de Advocacy da Visão Mundial.


Mas os jovens querem ser mais do que apenas espectadores dessas questões. Embora, no Brasil, um quinto (18%) não se considere (ainda) um líder, os jovens adultos geralmente carregam a esperança de serem contribuintes e solucionadores de problemas — particularmente se forem pessoas de fé.


“Esta geração está comprometida em fazer a diferença por meio das causas que lhes importam. Mostram uma disposição a envolver-se ou inclusive liderar quando têm um sentido compartilhado de missão”, conclui Pereira.


O resumo executivo pode ser acessado neste link e o estudo completo pode ser adquirido em theconnectedgeneration.com.


Fonte: Assessoria de Imprensa

Receba nossas atualizações

  • Branca Ícone Instagram
  • Ícone do Facebook Branco