• Giovanna Leopoldi

Consumidores brasileiros aumentam preferência por marcas que se posicionam

Novas competências, que englobam posicionamentos mais firmes e consumidores ao epicentro das atenções, farão a diferença na economia pós-pandemia


Consumidores: no Brasil, maioria quer marcas que reflitam seus valores de vida (Spencer Platt/AFP)


A crise mundial instaurada pelo novo coronavírus conseguiu balançar as estruturas econômicas, políticas e sociais. Diante desse “novo normal”, é preciso se reposicionar, entender, e atender à diferentes demandas. As pessoas mudaram, as corporações mudaram, e a pandemia mundial, acelerou, por motivos óbvios, um processo que já vinha acontecendo e transformando a relação entre marcas e consumidores. Daqui para frente tudo se referirá à posicionamento.

De acordo com uma recente pesquisa feita pela Accenture (empresa multinacional de consultoria de gestão, tecnologia da informação e outsourcing) 83% dos consumidores brasileiros preferem comprar de empresas que defendem propósitos alinhados aos seus valores de vida; 79% querem que as empresas se posicionem em relação a assuntos importantes (como em áreas como sociedade, cultura, meio ambiente e política) e 76% afirmam que suas decisões de compra são influenciadas pelos valores propagados pelas marcas e pelas ações de seus líderes. Este estudo deixa bem claro o que os consumidores, pelo menos aqui no Brasil, pensam sobre posicionamento.

Para Camilla Simon, especialista em estratégia de relacionamento e diretora da Moulin (agência responsável por projetos desenvolvidos para marcas como LG do Brasil, Hospital Albert Einstein, Comgás e Coral), as empresas mais lembradas no pós-pandemia serão em sua grande maioria as que se posicionaram, para as outras, o conselho é: a partir de agora, colocar o ser humano ao epicentro das atenções. O marketing H2H (Human to Human), que leva em consideração pessoas e suas relações humanas (com falhas, acertos, pedidos de desculpas e absoluta transparência) terá total impacto nas relações entre marcas e consumidores.

Ainda de acordo com a profissional, algumas competências como humildade, sensibilidade, coragem e autenticidade serão essenciais para as marcas neste novo momento.

Abaixo, Camilla faz um breve resumo sobre cada uma dessas capacidades e como as marcas poderão incorporá-las de maneira mais assertiva. Confira:

HUMILDADE

Esta será uma das grandes competências da nova economia. As novas tecnologias, os novos desafios do mercado e as novas formas de se relacionar conduzirão as empresas e as marcas à um posicionamento de aprendizado constante e a uma flexibilidade jamais vista. Essa flexibilidade, que está intrinsicamente ligada à humildade, potencializará ainda mais o Marketing H2H (Human to Human). Ser empático, entender as dores, dúvidas e sugestões, antecipar desejos, ouvir com afeto e atenção (inclusive as críticas), serão posicionamentos indispensáveis neste contexto.

SENSIBILIDADE

Falta de sensibilidade nunca foi perdoável (ainda bem). Imagine em um mundo pós-pandemia, absolutamente conectado, tecnológico e cada vez mais, humano? Um mundo com assuntos de todos os tipos e delicadezas vindo à tona ainda mais rapidamente do que nunca trazem essa “percepção aguçada”, e essa receptividade desenvolvem no ser humano e nas marcas a faculdade de sentir afeto, compaixão, empatia e também inteligência emocional, além da capacidade de se adaptar a diferentes culturas. Sem essas faculdades estimuladas, como desenvolver o pensamento crítico e tantas outras competências ligadas à tecnologia? Sem sensibilidade, como ler os dados com profundidade e saber responder à eles?

CORAGEM

Você se lembra quando a Nike foi absolutamente firme no posicionamento e defendeu a atleta Serena Williams em uma divergência séria com Bernard Giudicelli (dirigente da Roland Garros, em 2018)?. Na ocasião ele criticou-a por causa do uniforme, inspirado no filme Pantera Negra, considerando-o “ousado”, e a peça, especialmente desenvolvida para a performance da atleta que havia acabado de dar à luz foi proibida. “Você pode até tirar a roupa de super-heroína, mas jamais seus superpoderes”. Foi assim que a Nike posicionou-se, totalmente alinhada ao propósito da marca: just do it! Ter coragem e se posicionar não é simples, pelo contrario, é desafiador, mas nos dias atuais, será extremamente necessário.

AUTENTICIDADE

Falar o que pensa e, de fato, pensar aquilo que fala. Ter princípios e verdade próprios e que podem, sim, mudar com o tempo: amadurecer. Não ter vergonha de não saber e de querer aprender. Ser fiel à própria natureza, assumir quem se é e, por tudo isso, viver toda a liberdade que a transparência e a leveza conferem a uma marca! Autenticidade: é disso que estamos falando!


Fonte: Assessoria de Imprensa

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